Pergunto-me isto diariamente, porque durante a minha adolescência senti que me subestimavam bastante e isso fazia com que eu própria me subvalorizasse. É péssimo quando as opiniões dos outros entram na nossa cabeça e nos confundem, distorcem completamente a realidade, fazem-nos acreditar que somos algo que nós, na realidade, não somos.
E é pior ainda quando isto parte de pessoas com as quais deveríamos poder contar, pessoas que é suposto nos orientarem e nos ajudarem quando necessitamos, ou mesmo por parte de pessoas que consideramos amigos.
Eu amo as pessoas, não por ser uma escolha minha mas porque foi Deus que colocou esse amor em mim. Se a escolha fosse minha provavelmente detestava a maioria das pessoas!
A verdade é que às vezes o amor de Deus vem de uma forma brutal sobre mim e eu não consigo fazer mais nada se não amar. E neste caso e falando num caso especifico: Eu amo os jovens!
Amo os jovens porque já fui e ainda sou uma, estou naquela fase meio estranha de que legalmente já respondo como sendo adulta mas para a sociedade ainda sou uma criança que não sabe tomar decisões sozinha.
Subestimação, é o nome que se dá a isso.
Infelizmente isto ainda acontece com a maioria dos jovens, e por vezes acontece no local que menos se espera. Dentro da própria igreja.
Concordo que muitos jovens possam ainda não estar prontos para assumir certos compromissos, tudo certo, mas se não lhes dermos a oportunidade como vamos esperar que tenham um compromisso?
Quando olho a minha volta vejo dons. Vejo jovens lindos e tenho vontade de abraçar todos eles, mas seria demasiado awkward visto que não sou assim tão mais velha que alguns deles.
Mas gostava que estes jovens não esmorecessem, não se perdessem no mundo, não cometessem os mesmos erros que eu cometi por acharem que não são suficientemente bons para algo. Gostava também que não fossem obrigados a fazer coisas que em vez de os aproximarem de Deus só os afastam, por que em vez de estarem a fazer de coração estão a fazer um frete. Gostava que os jovens pudessem tomar iniciativas sem que lhes cortassem as pernas, que pudessem comprometer-se com algo sem que alguém automaticamente dê uma opinião menos boa. Gostava que parassem de subestimar os jovens e que parassem de insinuar que não têm compromisso, quando é mesmo esse tipo de opinião que os faz não querer ter compromisso, porque acham que não são capazes de o manter.
Talvez esses jovens chorem, talvez estejam magoados, porque talvez queiram achegar-se mais a Deus e simplesmente não consigam, seja qual for a razão não é falando em más companhias ou nas más escolhas que foram tomadas que adianta alguma coisa. Talvez esses jovens estejam cheios de ideias, de planos para fazer mais para Deus mas não podem, porque um dia falharam, aqui ou ali.
Eu fui uma dessas jovens, falhei dia sim, dia sim. E sem eu dar por isso as portas fecharam-se e fiquei presa no corredor. Por vezes é angustiante, porque por vezes somos obrigados a fazer coisas que não gostamos e o facto da expectativa de quem nos obrigou a fazer algo não corresponder à realidade leva a que isso seja considerado uma falha.
E eu falhei sim, não deixei de dar o meu melhor, mas falhei, aos olhos deles.
Na altura não era só aos olhos deles, era aos meus também, tanto que acabei por desistir, tudo aquilo para que era convocada recebia o meu "não". Porque tinha vergonha, porque não era boa o suficiente, porque sim, porque não, por mil e uma razões. Até que me afastei e me encontrei "presa" no corredor.
"Encontrei" no verdadeiro sentido da palavra foi preciso eu estar "presa" no corredor para me encontrar, para me encontrar a mim e a Deus na minha vida.
Mas foi nesse longo corredor que tentei abrir certas portas e não consegui. Talvez por culpa minha, porque na altura que tive oportunidade disse sempre que não, e foi preciso caminhar bastante até encontrar uma porta aberta, valeu a pena por voltar a encontrar Deus, o meu velho melhor amigo. Aquele que nunca considerou os meus erros como falhas, mas sim, como tentativas.
Aquele que nunca me subestimou porque sabia que eu era capaz de muito mais.
Aquele que esteve sempre lá.
E é isso que estes jovens precisam de compreender e interiorizar, que não interessa o que os outros pensam, não interessa nada, mesmo nada. Deus conhece o teu valor, e tu, jovem, tens valor, muito mesmo.
David também era muito jovem, mas fez algo enorme.
Os jovens são assim, capazes de coisas enormes, só precisam de ser escutados de vez em quando.
"Ninguém o despreze pelo fato de você ser jovem, mas seja um exemplo para os fiéis na palavra, no procedimento, no amor, na fé e na pureza."1 Timóteo 4:12
x AC
